Tecnologia e sustentabilidade: 3 estratégias para reduzir perdas e aumentar a rentabilidade no varejo alimentar
8/5/20262 min read


A redução de perdas continua entre os principais desafios do varejo alimentar brasileiro. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, consumidores mais atentos aos preços e à sustentabilidade e custos operacionais elevados, supermercadistas têm intensificado investimentos em tecnologia, inteligência de dados e novas estratégias para preservar a rentabilidade e aumentar a eficiência das operações.
Mesmo diante de um consumo mais cauteloso em alguns segmentos, o setor manteve sua relevância para a economia nacional, respondendo por 9,02% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025. No entanto, as perdas ainda representam um impacto significativo sobre os resultados das empresas.
Segundo dados do setor, o índice médio de perdas do varejo alimentar foi de 1,82% em 2025, reforçando a necessidade de processos mais inteligentes para minimizar desperdícios e melhorar a gestão dos produtos.
De acordo com Alcione Pereira, CEO da Connecting Food, três estratégias vêm se destacando entre as principais ferramentas para combater as perdas e fortalecer a competitividade dos supermercados.
Gestão inteligente de estoque com apoio da inteligência artificial
Uma das principais tendências é a utilização de tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) e análise de dados para tornar o gerenciamento dos estoques mais eficiente.
Essas ferramentas permitem prever a demanda com maior precisão, considerando fatores como histórico de vendas, sazonalidade, comportamento regional dos consumidores e períodos promocionais. Com essas informações, os varejistas conseguem ajustar os volumes de compra, reduzir excessos de estoque e minimizar perdas, especialmente nas categorias de produtos perecíveis.
Grandes redes internacionais, como o Walmart, já utilizam esse modelo para otimizar suas operações e reduzir desperdícios ao longo da cadeia de abastecimento.
Redistribuição de alimentos ganha espaço nas operações
Outra estratégia que vem se consolidando é a criação de parcerias estruturadas para a redistribuição de alimentos.
Produtos que perderam o padrão comercial exigido para exposição nas gôndolas, mas que continuam próprios para consumo, podem ser destinados a instituições sociais, bancos de alimentos e organizações beneficentes.
Segundo Alcione Pereira, essa prática deixou de ser uma ação isolada e passou a integrar a estratégia operacional de muitas redes supermercadistas, contribuindo simultaneamente para a redução de perdas, o combate ao desperdício e o fortalecimento das ações de responsabilidade social.
Economia circular reduz desperdícios e custos
Além da redistribuição, especialistas destacam a importância da adoção de práticas ligadas à economia circular.
Produtos que já não possuem condições de consumo podem ser destinados à compostagem, reciclagem ou outras formas de reaproveitamento, evitando o descarte inadequado e reduzindo impactos ambientais.
Tecnologias capazes de monitorar, em tempo real, o volume de excedentes permitem identificar rapidamente o destino mais adequado para cada produto, contribuindo para diminuir custos logísticos, reduzir desperdícios e tornar a operação mais sustentável.
Sustentabilidade se torna diferencial competitivo
A combinação entre eficiência operacional e responsabilidade ambiental deve ganhar ainda mais importância nos próximos anos. Consumidores estão cada vez mais atentos às práticas sustentáveis adotadas pelas empresas, enquanto investidores e parceiros também ampliam as exigências relacionadas à agenda ESG.
Na avaliação de Alcione Pereira, reduzir perdas deixará de ser apenas uma medida para preservar margens financeiras e passará a representar um importante diferencial competitivo para o varejo alimentar.
Com apoio da tecnologia, inteligência de dados e estratégias sustentáveis, supermercados poderão melhorar seus resultados, otimizar processos e atender às novas expectativas do mercado, consolidando a gestão de perdas como um dos pilares estratégicos do setor em 2026.





















