Setor de biscoitos, massas, pães e bolos movimenta R$ 36 bilhões no 1º semestre de 2026
8/31/20264 min read
Setor de biscoitos, massas, pães e bolos movimenta R$ 36 bilhões no 1º semestre de 2026
Mesmo com queda no volume de vendas, indústria registra alta de 2,1% no faturamento e aposta em inovação, diversificação e produtos de maior valor agregado para manter o crescimento
O mercado brasileiro de biscoitos, massas alimentícias, pães industrializados, bolos e misturas para bolo movimentou R$ 36 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi), com dados da NielsenIQ.
O resultado representa um crescimento de 2,1% no faturamento em relação ao mesmo período de 2025. Em contrapartida, o volume comercializado apresentou uma retração de 2,1%, refletindo um consumidor mais atento aos preços e às escolhas de compra.
Para a Abimapi, o desempenho mostra a capacidade de adaptação da indústria diante de um cenário de consumo mais desafiador.
“Mesmo enfrentando um cenário desafiador, as categorias da Cesta Abimapi provaram ser essenciais na rotina das famílias brasileiras. A rápida capacidade de adaptação dos fabricantes, que apostam em lançamentos inovadores e na diversificação de portfólio para atender tanto o consumidor que busca extrema economia quanto aquele que não abre mão de pequenos prazeres diários, foi o grande motor que manteve o dinamismo do nosso mercado”, afirma Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi.
Misturas para bolo ganham destaque
Entre as categorias analisadas, misturas para bolo apresentaram o maior crescimento no período. O segmento alcançou R$ 613 milhões em faturamento, uma alta de 14,7% na comparação anual.
O volume comercializado chegou a 69 mil toneladas, crescimento de 4,1% frente ao primeiro semestre de 2025.
Segundo o levantamento, o desempenho foi impulsionado principalmente pela chegada de novos produtos e por inovações com maior valor agregado, que contribuíram para aumentar o giro nas gôndolas.
Biscoitos movimentam R$ 18 bilhões
Os biscoitos continuam como uma das principais forças da Cesta Abimapi. A categoria registrou R$ 18 bilhões em faturamento, alta de 3,7%, enquanto o volume comercializado chegou a 747 mil toneladas, queda de 2,3%.
Um dos principais movimentos observados no período foi o chamado “efeito ampulheta”, caracterizado pela concentração do consumo nos dois extremos da categoria.
De um lado, estão os produtos mais econômicos, escolhidos para o consumo cotidiano. Do outro, aparecem itens de maior valor agregado, como cookies, biscoitos cobertos e recheados doces.
Esse segundo grupo já representa 10,3% do faturamento da categoria e 7,9% da frequência de compra.
Outros segmentos também apresentaram resultados positivos. Os biscoitos amanteigados registraram crescimento de 1,8% na penetração nos lares e avanço de 2,7% nas ocasiões de compra. Os wafers cresceram 0,1%, enquanto os biscoitos cobertos avançaram 7,9%.
O levantamento também aponta que os biscoitos vêm sendo utilizados pelos consumidores como uma alternativa mais acessível a produtos de maior preço, como barras de chocolate.
Pães industrializados chegam a R$ 8,4 bilhões
O segmento de pães industrializados faturou R$ 8,4 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O volume, entretanto, caiu 3,9%, totalizando 385 mil toneladas.
Entre os destaques está o desempenho do pão de forma comum, impulsionado principalmente pela atuação de fabricantes e marcas de menor porte.
Os pães para hambúrguer e hot dog também mantiveram uma trajetória positiva em faturamento. O resultado está relacionado, entre outros fatores, à mudança no comportamento do consumidor, que passou a preparar mais refeições rápidas em casa em vez de consumi-las fora.
Massas registram R$ 7,6 bilhões
A categoria de massas alimentícias movimentou R$ 7,6 bilhões nos primeiros seis meses de 2026. O resultado representa uma queda de 0,8% no faturamento em relação ao primeiro semestre de 2025.
O volume comercializado foi de 642 mil toneladas, retração de 1,5%.
Apesar do desempenho geral negativo, as massas refrigeradas se destacaram positivamente, com crescimento de 6,4% em valor, mostrando espaço para expansão dentro da categoria.
Bolos enfrentam retração no volume
Os bolos industrializados faturaram R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre de 2026, queda de 0,8% tanto no faturamento quanto no volume, que ficou em aproximadamente 30 mil toneladas, recuo de 7,4%.
Dentro da categoria, o segmento de bolos representa 46,6% do mercado, avanço de 1,4 ponto percentual em relação ao primeiro semestre do ano passado.
As embalagens individuais também vêm ganhando espaço. Entre as monoporções, as embalagens de 40 gramas cresceram 4,2% em importância, enquanto as de 70 gramas avançaram 0,4%.
Os números reforçam uma tendência de consumo voltada para porções individuais e práticas, especialmente em um cenário no qual o consumidor busca equilibrar preço, conveniência e indulgência.
Indústria aposta em adaptação para manter o mercado aquecido
Os resultados do primeiro semestre mostram um mercado que, apesar da redução no volume comercializado, conseguiu ampliar seu faturamento. A combinação entre produtos de entrada, opções premium, novos formatos e embalagens menores ou individuais tem sido uma das estratégias utilizadas pela indústria para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor.
Para o segundo semestre, a expectativa é de que inovação, preço competitivo e diversificação do portfólio continuem entre os principais fatores para estimular as vendas e manter a relevância das categorias no dia a dia dos brasileiros.





















