M. Dias Branco lucra R$ 168,9 milhões no 2º trimestre, mas resultado cai 22%

8/17/20264 min read

Volume de vendas cresce 4,4%, mas pressão sobre preços e margens reduz a rentabilidade da companhia no período

A M. Dias Branco, uma das principais empresas brasileiras do setor de alimentos e dona de marcas como Vitarella, Fortaleza e Piraquê, encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 168,9 milhões. O resultado representa uma queda de 22% em relação aos R$ 216,4 milhões registrados no mesmo período de 2025. (UOL Notícias)

Apesar da redução no lucro, a companhia conseguiu aumentar o volume comercializado. Entre abril e junho, foram vendidas 477,3 mil toneladas, alta de 4,4% na comparação anual. O avanço, porém, veio acompanhado de uma redução na receita líquida, que ficou em R$ 2,699 bilhões, recuo de 0,9%. (UOL Economia)

EBITDA também recua

O desempenho operacional acompanhou a pressão sobre o lucro. O EBITDA, indicador que mostra a geração de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 284,4 milhões, queda de 17,5% frente aos R$ 344,9 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.

A margem EBITDA também diminuiu. O indicador passou de 12,7% para 10,5%, uma redução de 2,2 pontos percentuais em um ano. (InvesTalk)

Na prática, os números mostram que a M. Dias Branco vendeu mais produtos, mas encontrou dificuldades para transformar esse aumento de volume em crescimento de receita e lucro.

Preços menores pressionaram o resultado

Um dos fatores que ajudam a explicar esse movimento é a redução do preço médio dos produtos. Segundo dados divulgados sobre o trimestre, o preço médio de todas as categorias passou de aproximadamente R$ 6,00 para R$ 5,70 por quilo, uma queda de cerca de 5%.

Nas principais categorias da companhia, que incluem biscoitos, massas e margarinas, a receita líquida caiu 1,8%, para R$ 2,088 bilhões. Já o segmento de moagem de trigo e refino de óleos vegetais teve receita de R$ 452,3 milhões, queda de 0,7%. (UOL Notícias)

O cenário indica uma combinação de maior volume vendido com preços médios mais baixos, em um ambiente de consumo ainda pressionado.

Margem bruta melhora

Nem todos os indicadores vieram negativos. A margem bruta da companhia subiu para 34,2%, contra 33,4% no segundo trimestre de 2025 e 32,4% no primeiro trimestre deste ano.

A melhora foi relacionada principalmente à redução dos custos variáveis e ao crescimento dos volumes comercializados. Os custos variáveis recuaram de R$ 3,20 para R$ 2,90 por quilo, segundo os dados divulgados sobre o trimestre. (Visno Invest)

Mesmo com essa melhora, outras despesas acabaram pressionando o resultado final.

Projeto Acelera aumenta despesas no trimestre

A M. Dias Branco também está passando por um processo de reorganização interna por meio do Projeto Acelera.

No segundo trimestre, o projeto gerou R$ 12,1 milhões em despesas não recorrentes. A iniciativa envolve a transferência de processos administrativos para um prestador externo e mudanças na estrutura da companhia, incluindo a redução de 621 posições. (UOL Economia)

A empresa afirma que as medidas fazem parte de um processo de simplificação, utilização de tecnologia e redução estrutural de despesas, com o objetivo de melhorar a eficiência operacional.

Investimentos praticamente dobram

Mesmo diante da queda do lucro, a companhia manteve um ritmo elevado de investimentos.

O chamado Capex, destinado a investimentos em ativos e estrutura, alcançou R$ 101,8 milhões no segundo trimestre, alta de 97,3% em relação aos R$ 51,6 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Os recursos foram direcionados principalmente para iniciativas de automação e otimização industrial. No primeiro semestre, os investimentos acumulados chegaram a R$ 273,5 milhões. (Visno Invest)

Caixa líquido chega a R$ 767 milhões

A situação financeira da companhia, por outro lado, permanece sólida.

Ao final do segundo trimestre, a M. Dias Branco registrava R$ 767 milhões em caixa líquido, contra R$ 328,2 milhões um ano antes. O caixa total somava R$ 2,09 bilhões, enquanto a dívida bruta estava em R$ 1,45 bilhão.

A geração de caixa operacional alcançou R$ 321,8 milhões no trimestre e R$ 516,3 milhões no acumulado do primeiro semestre. (Visno Invest)

Resultado do primeiro semestre

Considerando os seis primeiros meses de 2026, a M. Dias Branco registrou R$ 4,916 bilhões em receita líquida, praticamente estável em relação ao primeiro semestre de 2025.

O lucro líquido acumulado no período foi de R$ 275,2 milhões, queda de 3,7% na comparação anual. (Visno Invest)

O resultado mostra que, apesar da queda mais forte registrada no segundo trimestre, o desempenho acumulado no ano ainda apresenta uma redução mais moderada.

Volume cresce pelo quarto trimestre consecutivo

Um dos pontos positivos destacados pela companhia é o avanço contínuo do volume comercializado.

O segundo trimestre marcou o quarto trimestre consecutivo de crescimento no volume de vendas, chegando às 477,3 mil toneladas.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, os resultados também apresentaram recuperação. A receita líquida avançou 21,7%, o lucro líquido cresceu 58,9% e o EBITDA aumentou 45,2%. (Visno Invest)

O que os números mostram

O balanço do segundo trimestre apresenta dois lados.

De um lado, a M. Dias Branco conseguiu vender mais, melhorar sua margem bruta, ampliar a geração de caixa e manter uma posição financeira confortável. De outro, a queda nos preços médios e a pressão sobre as despesas reduziram a rentabilidade da operação.

O resultado também mostra que o aumento do volume, sozinho, não foi suficiente para compensar a pressão sobre preços e margens.

Para os próximos trimestres, o desempenho da companhia deverá depender da capacidade de manter o crescimento dos volumes, recuperar margens e capturar os ganhos de eficiência esperados com os investimentos e o Projeto Acelera.

No segundo trimestre, portanto, a M. Dias Branco continuou crescendo em volume, mas ainda enfrentou dificuldades para transformar esse avanço em crescimento de receita e lucro. (InfoMoney)

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