Grupo Mateus é alvo de relatório que aponta venda de carne ligada a desmatamento ilegal e trabalho análogo à escravidão
7/19/20264 min read


Grupo Mateus é alvo de relatório que aponta venda de carne ligada a desmatamento ilegal e trabalho análogo à escravidão
O Grupo Mateus, terceira maior rede supermercadista do Brasil, tornou-se alvo de um relatório da organização ambiental internacional Mighty Earth que aponta possíveis falhas na política de compra de carne bovina da companhia. Segundo o documento, aproximadamente 40% da carne comercializada pela rede apresenta algum tipo de risco socioambiental, estando relacionada a fornecedores envolvidos com desmatamento ilegal, ausência de rastreabilidade ou casos de trabalho análogo à escravidão. (Brasil de Fato)
A denúncia coloca novamente em evidência um dos principais desafios da cadeia da carne brasileira: a dificuldade de rastrear toda a origem do gado, especialmente quando há participação de fornecedores indiretos.
O que diz o relatório
O estudo, intitulado "Grupo Mateus – Por trás das prateleiras", analisou centenas de produtos comercializados pela rede em dezenas de unidades espalhadas pelas regiões Norte e Nordeste.
De acordo com a Mighty Earth:
Cerca de 40% dos produtos avaliados receberam classificação considerada "ruim" ou "muito ruim" em critérios de sustentabilidade.
Parte da carne estaria ligada a frigoríficos que não possuem mecanismos robustos de controle contra o desmatamento.
Alguns fornecedores possuem histórico relacionado a áreas embargadas ambientalmente ou a propriedades investigadas por trabalho análogo à escravidão.
A organização afirma que o Grupo Mateus não possui compromissos públicos de desmatamento zero equivalentes aos adotados por outras grandes redes supermercadistas brasileiras. (Brasil de Fato)
Como a investigação foi realizada
Segundo a Mighty Earth, foram analisados aproximadamente 430 produtos de carne bovina, distribuídos em 38 lojas do Grupo Mateus.
A avaliação utilizou informações públicas sobre fornecedores, bancos de dados ambientais, embargos do Ibama, registros de fiscalização trabalhista e ferramentas de rastreamento da cadeia pecuária para identificar o nível de risco associado aos frigoríficos responsáveis pelos produtos. (Folha de S.Paulo)
Principais problemas identificados
O relatório aponta três categorias principais de risco.
Carne ligada ao desmatamento
Parte dos frigoríficos fornecedores teria adquirido animais provenientes de áreas com histórico de desmatamento ilegal, especialmente na Amazônia.
Embora muitos frigoríficos afirmem monitorar seus fornecedores diretos, organizações ambientais alertam que ainda existem dificuldades para controlar toda a cadeia produtiva, principalmente os chamados fornecedores indiretos. (Repórter Brasil)
Trabalho análogo à escravidão
A investigação também relaciona alguns fornecedores da cadeia da carne a propriedades rurais que já foram alvo de fiscalizações envolvendo trabalho análogo à escravidão.
Isso não significa necessariamente que toda carne vendida seja proveniente dessas fazendas, mas indica que parte da cadeia de fornecimento apresenta riscos trabalhistas relevantes, segundo a organização. (Brasil de Fato)
Falta de transparência
Outro ponto destacado é a ausência de políticas públicas claras do Grupo Mateus sobre:
rastreabilidade completa da carne;
metas de desmatamento zero;
divulgação de relatórios de sustentabilidade;
critérios públicos para seleção de fornecedores.
Segundo a Mighty Earth, entre as maiores redes supermercadistas brasileiras, o Grupo Mateus seria a única que ainda não divulga compromissos públicos abrangentes nessa área. (Folha de S.Paulo)
Importância do Grupo Mateus no varejo
O tema ganha relevância devido ao tamanho da empresa.
O Grupo Mateus:
é a terceira maior rede supermercadista do Brasil;
faturou cerca de R$ 31 bilhões em 2025;
possui mais de 270 lojas;
atua em aproximadamente 110 cidades das regiões Norte e Nordeste.
O posicionamento do Grupo Mateus
Segundo reportagens publicadas sobre o relatório, o Grupo Mateus informou que não compactua com práticas ilegais em sua cadeia de fornecimento.
Em uma das manifestações divulgadas pela imprensa, a empresa afirmou que possui processos para seleção de fornecedores e ressaltou que não apoia qualquer atividade ilegal relacionada ao meio ambiente ou às relações de trabalho. Em outro contato relatado pela imprensa, a companhia informou que não comentaria o conteúdo específico do levantamento. (Folha de S.Paulo)
Debate sobre a cadeia da carne
Especialistas lembram que o problema não envolve apenas um varejista.
A cadeia da pecuária brasileira enfrenta desafios históricos relacionados a:
rastreabilidade dos fornecedores indiretos;
combate ao desmatamento ilegal;
fiscalização trabalhista;
monitoramento de áreas embargadas;
transparência na origem dos animais.
Nos últimos anos, frigoríficos, supermercados, exportadores e investidores vêm sendo pressionados por consumidores, governos e mercados internacionais a adotar mecanismos mais rigorosos de controle socioambiental. (Repórter Brasil)
Possíveis impactos para o setor
Caso as conclusões do relatório gerem maior repercussão, especialistas avaliam que podem ocorrer:
aumento da pressão por maior rastreabilidade da carne;
fortalecimento das exigências ESG no varejo alimentar;
revisão de políticas de compra por grandes redes;
maior cobrança de investidores e consumidores por transparência;
intensificação das auditorias sobre fornecedores.
Conclusão
O relatório da Mighty Earth coloca o Grupo Mateus no centro do debate sobre sustentabilidade na cadeia da carne brasileira. Embora a organização afirme ter identificado vínculos entre parte dos produtos comercializados e fornecedores associados a desmatamento ilegal ou casos de trabalho análogo à escravidão, o Grupo Mateus afirma que não apoia práticas ilegais em sua cadeia de abastecimento.
O caso reforça a crescente exigência por transparência e rastreabilidade no setor supermercadista, especialmente em um momento em que critérios ambientais, sociais e de governança ganham peso nas decisões de consumidores, investidores e parceiros comerciais. (Folha de S.Paulo)





















