Falta de mão de obra no supermercado: como as redes estão redesenhando funções, treinamento e atendimento
10/13/20264 min read


Supermercados revisam contratação e treinamento diante da escassez de mão de obra
Avanço da automação e mudanças no comportamento do consumidor levam redes a investir em profissionais multifuncionais, capacitação e novas estratégias de retenção
A dificuldade para contratar e reter trabalhadores tem levado os supermercados a rever seus modelos de gestão, treinamento e atendimento. Em meio ao avanço da automação e à transformação dos hábitos de consumo, o setor busca novas formas de organizar as equipes, aumentar a produtividade e manter a qualidade dos serviços prestados aos clientes.
A mudança também altera o perfil dos profissionais procurados pelas empresas. Além da experiência operacional, ganham importância habilidades como comunicação, empatia, capacidade de resolver problemas, adaptação a novas tecnologias e atuação em diferentes funções.
Para especialistas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e do Senac, a resposta à escassez de mão de obra passa pela combinação entre tecnologia, desenvolvimento profissional e revisão dos processos internos.
Segundo Bruno Mayworm, professor de Gestão Comercial da graduação tecnológica da ESPM, os supermercados precisam de trabalhadores preparados para atuar em diferentes etapas da jornada de compra. Nesse contexto, competências comportamentais e conhecimentos básicos de tecnologia tornam-se cada vez mais relevantes.
A transformação também exige maior atenção à gestão comercial. Para Luiz Fernando Gomes Pinto, coordenador dos cursos superiores de Tecnologia em Gestão Comercial e Tecnologia em Marketing do Senac, conhecer o consumidor, analisar dados, gerenciar categorias e definir o mix de produtos adequado são competências essenciais para atender às particularidades de cada formato de loja.
Contratação e treinamento ganham importância estratégica
A dificuldade de encontrar profissionais com experiência específica tem levado as empresas a ampliar os critérios de seleção. A capacidade de aprendizagem, o comportamento e o potencial de desenvolvimento passam a ter maior peso na contratação.
Na avaliação de Mayworm, três movimentos se destacam nesse processo: simplificação das atividades, formação de profissionais multifuncionais e automação de tarefas de menor valor agregado.
Para os supermercados, isso significa investir na capacitação de novos colaboradores e preparar as equipes para assumir responsabilidades diferentes conforme as necessidades da operação.
Gomes Pinto ressalta que a formação precisa combinar conhecimentos teóricos com experiências práticas. O treinamento realizado no próprio ambiente de trabalho, conhecido como on-the-job, permite que o profissional aprenda a utilizar ferramentas e lidar com situações comuns à rotina do varejo.
Automação muda o papel dos trabalhadores
A adoção de tecnologias como o self-checkout, os sistemas de gestão e as ferramentas de análise de dados vem modificando a distribuição das tarefas nas lojas. Atividades repetitivas e transacionais passam por mudanças, enquanto cresce a necessidade de profissionais preparados para atuar no atendimento, na operação digital e no apoio às decisões comerciais.
Para Mayworm, esse processo não representa necessariamente o desaparecimento imediato de postos de trabalho, mas uma transformação na maneira como as funções são executadas.
A tecnologia pode liberar trabalhadores de determinadas tarefas e permitir que sejam direcionados a atividades que exigem mais interação com o cliente e capacidade de resolver problemas.
O uso de dados também ganha espaço na rotina do setor. De acordo com Gomes Pinto, os profissionais precisam desenvolver habilidades analíticas para interpretar resultados, prever demandas e apoiar decisões que contribuam para o desempenho das lojas.
Retenção depende de melhores condições de trabalho
Além de contratar, os supermercados enfrentam o desafio de manter seus profissionais. A disputa por trabalhadores exige atenção a fatores que vão além da remuneração, como benefícios, jornada, flexibilidade, ambiente de trabalho e oportunidades de crescimento.
Mayworm destaca que os candidatos avaliam o conjunto de condições oferecidas pelas empresas, incluindo o relacionamento com as lideranças e as possibilidades de desenvolvimento profissional.
Nesse cenário, a capacitação contínua e a organização das equipes tornam-se ferramentas importantes para reduzir a rotatividade.
Uma das alternativas apontadas por Gomes Pinto é a rotação de funções, prática que permite aos colaboradores atuar temporariamente em diferentes atividades. A estratégia amplia o conhecimento sobre a operação, aumenta a flexibilidade na distribuição das equipes e reduz a dependência de profissionais específicos para determinadas tarefas.
Integração entre pessoas e tecnologia orienta o futuro do setor
A escassez de mão de obra reforça a necessidade de os supermercados reavaliarem seus modelos operacionais. O desafio está em identificar quais atividades podem ser automatizadas, quais dependem da atuação humana e como preparar as equipes para atender às novas exigências do mercado.
Na avaliação de Mayworm, a questão central deixou de ser apenas como preencher vagas em aberto e passou a envolver o redesenho das operações para encontrar o equilíbrio entre pessoas, processos e tecnologia.
Com isso, o setor tende a valorizar profissionais com visão mais ampla do negócio, capazes de identificar oportunidades, tomar decisões e contribuir tanto para a eficiência operacional quanto para a experiência de compra.
A combinação entre automação, treinamento e desenvolvimento de equipes passa, assim, a ocupar um papel central nas estratégias dos supermercados para enfrentar a falta de trabalhadores e manter a competitividade.





















