Casas Bahia fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários em nova etapa de reestruturação
8/14/20265 min read


Redução da rede física ocorre em meio ao processo de transformação da varejista, que busca diminuir custos, aumentar a eficiência e concentrar investimentos em operações mais rentáveis
O Grupo Casas Bahia atravessa mais uma etapa de sua reestruturação e reduziu de forma significativa sua presença física no Brasil. A companhia fechou 298 lojas e desligou aproximadamente 1,9 mil funcionários, em um movimento que representa uma redução próxima de 30% em sua operação de lojas.
A medida atinge unidades de diferentes regiões do país e faz parte de uma estratégia adotada pela varejista para tornar a operação mais enxuta, reduzir despesas e concentrar esforços em pontos de venda com maior potencial de geração de receita.
O movimento acontece após anos de pressão sobre os resultados da companhia. A Casas Bahia iniciou seu processo de transformação em 2023, quando passou a adotar uma política mais rígida de controle de custos, revisão da estrutura operacional, redução de estoques e fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis.
Uma rede menor e mais concentrada
Apesar do fechamento das unidades, a Casas Bahia continua com uma das maiores redes físicas do varejo brasileiro.
Dados divulgados pela própria companhia mostram que, em maio de 2026, o grupo possuía 922 lojas Casas Bahia e 117 unidades do Ponto, totalizando 1.039 estabelecimentos.
A rede está distribuída por diversos estados brasileiros. São Paulo concentra o maior número de unidades, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Nordeste, a companhia mantém presença relevante em estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas.
A redução da quantidade de lojas não significa, portanto, o abandono da operação física. A estratégia é concentrar a presença em locais considerados mais importantes para o negócio e utilizar as lojas também como parte da estrutura logística da companhia.
A própria Casas Bahia afirma que suas unidades físicas podem funcionar como mini hubs, apoiando a distribuição e a entrega de produtos vendidos pelos canais digitais.
Demissões acompanham enxugamento da operação
O fechamento das lojas também teve impacto direto sobre o quadro de funcionários.
A redução de aproximadamente 1,9 mil postos de trabalho ocorre em um momento no qual a empresa vem diminuindo sua estrutura para controlar despesas e melhorar a eficiência operacional.
Em março deste ano, a Folha de S.Paulo apontou que o número de funcionários da Casas Bahia havia caído de cerca de 46 mil para aproximadamente 35 mil nos cinco anos anteriores.
Atualmente, a própria empresa informa em sua plataforma de recrutamento que possui mais de 30 mil colaboradores.
O movimento mostra que o ajuste não está restrito às lojas. A companhia vem revisando diferentes áreas da operação, buscando uma estrutura menor e mais eficiente.
Reestruturação começou após forte crise financeira
A atual redução da rede física é consequência de um processo que começou há cerca de três anos.
Em 2023, a Casas Bahia enfrentava uma situação financeira delicada. Naquele ano, a companhia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 2,6 bilhões, enquanto o resultado negativo de 2022 havia sido de R$ 342 milhões. No quarto trimestre de 2023, o prejuízo chegou a cerca de R$ 1 bilhão.
Naquele momento, a empresa anunciou um plano de transformação que incluía o fechamento de lojas com desempenho abaixo do esperado, redução de despesas, revisão de estoques e medidas para melhorar sua estrutura de capital.
Somente em 2023, 55 lojas foram fechadas dentro desse processo.
A companhia também negociou com bancos o alongamento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em dívidas, buscando diminuir a pressão financeira sobre o caixa.
Dívida menor, mas operação ainda em transformação
Nos últimos anos, a empresa conseguiu avançar na redução de seu endividamento.
Em maio de 2026, o Grupo Casas Bahia informou que havia reduzido sua dívida em R$ 4,6 bilhões após dois anos de reestruturação financeira e operacional. Segundo a companhia, as medidas adotadas também devem gerar aproximadamente R$ 7,7 bilhões em economia de despesas financeiras até 2030.
A empresa afirma que a nova fase combina redução de custos, otimização de estoques, simplificação da estrutura organizacional e aumento da geração de caixa.
Para 2026, a própria companhia apresenta como direcionadores um novo ciclo de expansão, monetização da plataforma, crescimento das áreas de crédito, serviços e logística e busca por uma operação omnicanal rentável.
O que muda para o consumidor?
Para o consumidor, a principal mudança está na menor quantidade de lojas físicas disponíveis em algumas cidades.
Por outro lado, a estratégia da companhia é integrar cada vez mais os estabelecimentos físicos aos canais digitais. A Casas Bahia mantém operações de venda pelo site e aplicativo e utiliza sua rede de lojas como parte da estrutura de distribuição.
Isso significa que uma loja deixa de ser apenas um ponto de venda tradicional e passa também a funcionar como apoio para pedidos realizados pela internet, retirada de produtos e entregas.
A mudança acompanha uma transformação que vem acontecendo em todo o varejo brasileiro: grandes redes passaram a avaliar não apenas o faturamento de cada loja, mas também sua importância logística, o custo de ocupação, o fluxo de consumidores e sua capacidade de atender pedidos digitais.
Uma nova Casas Bahia
O fechamento das 298 unidades e os desligamentos fazem parte de uma transformação mais ampla da empresa.
Depois de atravessar um período marcado por prejuízos elevados e forte pressão financeira, a Casas Bahia tenta operar com uma estrutura menor, mais seletiva e integrada aos canais digitais.
A companhia ainda mantém mais de mil lojas considerando suas principais bandeiras, segundo os dados divulgados em seu site de Relações com Investidores.
O desafio agora é fazer com que a redução da estrutura se traduza em maior rentabilidade. Em outras palavras, a estratégia não é simplesmente vender menos ou ter menos lojas, mas fazer com que cada unidade, canal e operação tenha uma contribuição maior para o resultado.
A divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 ocorreu em 12 de agosto, com apresentação aos investidores no dia seguinte, mostrando que a empresa entra em uma nova fase justamente enquanto continua ajustando sua operação.
O movimento coloca a Casas Bahia diante de uma mudança importante em sua história: uma companhia que durante décadas cresceu apoiada em uma enorme presença física agora busca competir com uma estrutura mais enxuta, combinando lojas, comércio eletrônico, crédito e logística.
A transformação ainda está em andamento e o resultado desse processo dependerá da capacidade da varejista de transformar a redução de custos em crescimento sustentável e rentabilidade.





















