CADE aprova aquisição de 12% do Assaí por investidores ligados ao Grupo Muffato
10/7/20263 min read


Operação envolve 12,0134% do capital da Sendas Distribuidora, controladora do Assaí; Cade não identificou riscos relevantes à concorrência
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição de uma participação de 12,0134% do capital social da Sendas Distribuidora, empresa responsável pela operação do Assaí Atacadista, por investidores ligados à família Muffato.
A decisão foi tomada na quarta-feira, 30 de setembro, após a análise da operação, que havia sido comunicada ao Cade em maio deste ano. A participação foi construída por meio da aquisição de ações na bolsa de valores e de operações com derivativos financeiros.
Entre os investidores estão os fundos Snapper Rocks e WHG Apache, ligados aos empresários Ederson e Everton Muffato, acionistas do Grupo Muffato, dono das redes Super Muffato e Max Atacadista.
Apesar de atuarem no mesmo segmento, os investidores afirmaram ao Cade que a aquisição tem caráter financeiro e não representa uma tentativa de assumir o controle do Assaí. Segundo as informações apresentadas à autarquia, os grupos continuarão operando de forma independente, sem troca de informações concorrencialmente sensíveis.
Também não está prevista mudança na administração da Sendas ou eleição para o Conselho de Administração até 2027. Os investidores terão poderes políticos limitados em razão da participação adquirida.
Cade avaliou possível impacto sobre a concorrência
A operação chamou a atenção do órgão antitruste porque Grupo Muffato e Assaí atuam em mercados semelhantes, especialmente no segmento de atacarejo. As empresas possuem presença em algumas das mesmas regiões e cidades, incluindo municípios do Paraná e de São Paulo.
O Cade considerou a existência de outros concorrentes relevantes no setor, entre eles o Grupo Carrefour, além de redes regionais que atuam nos mercados analisados. Com isso, a Superintendência-Geral concluiu que a aquisição não apresentava, naquele momento, riscos concorrenciais que justificassem a imposição de restrições.
A autarquia, no entanto, deixou aberta a possibilidade de investigar a operação futuramente caso sejam identificados indícios de prejuízo à concorrência ou descumprimento das condições apresentadas pelos investidores.
Participação começou a ser construída em 2025
A posição dos investidores ligados à família Muffato começou a ser formada no ano passado. Em novembro de 2025, os fundos Snapper Rocks e Apache informaram a aquisição de ações que, juntas, representavam 4,91% do capital da Sendas.
Ao longo de 2026, a participação foi ampliada por meio de novas aquisições e operações com derivativos. Atualmente, os fundos detêm mais de 11% das ações da companhia e, considerando os derivativos ainda existentes e outras posições, a participação total estimada chega a 12,0134%.
Assaí e Muffato seguem independentes
A aprovação do Cade não significa que o Grupo Muffato passou a controlar o Assaí. A Sendas Distribuidora continua sem um acionista controlador, e a operação aprovada não altera, por si só, a administração ou o comando da companhia.
Em comunicado, o Grupo Muffato reforçou que continuará concorrendo de forma independente com o Assaí e que não haverá intercâmbio de informações concorrencialmente sensíveis entre as empresas.
A decisão da Superintendência-Geral ainda pode ser submetida ao Tribunal do Cade dentro dos procedimentos previstos na legislação. Caso não haja avocação ou recurso, a decisão se tornará definitiva após o prazo legal.
A movimentação coloca os acionistas ligados ao Grupo Muffato entre os maiores investidores do Assaí e amplia a presença de um dos principais grupos de atacarejo do país no capital de uma de suas maiores concorrentes.





















