A revolução da IA já começou: empresas disputam espaço nas respostas dos assistentes inteligentes
8/6/20263 min read


A inteligência artificial está provocando uma das maiores transformações já vistas no marketing e no varejo. Mais do que automatizar processos, a tecnologia está alterando a maneira como os consumidores descobrem produtos, pesquisam informações e realizam compras. Com isso, empresas, indústrias e varejistas precisam adaptar rapidamente suas estratégias para permanecerem relevantes em um mercado cada vez mais orientado por assistentes inteligentes.
Esse foi um dos principais assuntos debatidos durante o Trade Connection, evento que reuniu especialistas para discutir inovação e os novos rumos do trade marketing. Entre os palestrantes esteve Alexandre Caramaschi, diretor de Estratégia (CSO) da Nuvini, que destacou como a inteligência artificial está mudando a relação entre marcas e consumidores.
O marketing entra em uma nova era
Segundo Caramaschi, o mercado vive uma mudança comparável às grandes revoluções tecnológicas das últimas décadas. O modelo tradicional de pesquisa baseado em palavras-chave começa a dar lugar a plataformas de inteligência artificial capazes de interpretar contexto, intenção e comportamento do usuário antes de apresentar uma resposta.
Na prática, isso significa que o consumidor deixa de apenas procurar informações em mecanismos de busca para conversar diretamente com assistentes inteligentes, que entregam respostas completas e personalizadas.
Esse novo comportamento muda completamente a forma como as marcas precisam trabalhar sua presença digital.
A nova disputa é conquistar a resposta da IA
Durante a apresentação, o especialista explicou que, no novo cenário, aparecer entre os primeiros resultados de pesquisa já não é suficiente.
O grande desafio passa a ser fazer com que produtos, serviços e marcas sejam citados diretamente nas respostas produzidas por plataformas de inteligência artificial.
Esse movimento impulsiona um conceito conhecido como GEO (Generative Engine Optimization), estratégia voltada para otimizar conteúdos de forma que eles sejam compreendidos e utilizados por sistemas de IA na construção de respostas aos usuários.
Assim como o SEO revolucionou a presença das empresas nos buscadores, o GEO surge como um novo diferencial competitivo para quem deseja manter relevância no ambiente digital.
A jornada de compra está sendo reinventada
A inteligência artificial também está transformando o processo de compra.
Antes, o consumidor pesquisava um termo, analisava diferentes links, comparava produtos e tomava sua decisão manualmente.
Agora, agentes inteligentes conseguem interpretar pedidos feitos em linguagem natural, identificar preferências, analisar histórico de consumo, localização e contexto para sugerir a melhor alternativa.
Imagine um consumidor que informa ao seu assistente virtual que pretende comprar um presente ou organizar uma comemoração. A própria IA pode localizar opções, comparar preços, negociar condições e apresentar a melhor escolha, restando ao usuário apenas confirmar a compra.
Em muitos casos, toda essa jornada acontece dentro da própria plataforma de inteligência artificial, eliminando diversas etapas tradicionais da pesquisa online.
Especialistas chamam esse novo modelo de Comércio Agêntico, no qual agentes de IA participam ativamente do processo de compra, desde a identificação da necessidade até a conclusão da transação, sempre mediante autorização do usuário.
Conteúdo passa a ser ainda mais estratégico
Outro ponto destacado durante o evento foi a importância da qualidade das informações disponibilizadas pelas empresas.
Sites atualizados, páginas institucionais, redes sociais, artigos e descrições completas dos produtos tornam-se fundamentais para que a inteligência artificial consiga interpretar corretamente uma marca.
Empresas que mantêm conteúdos organizados e bem estruturados aumentam suas chances de aparecer nas recomendações feitas pelos assistentes inteligentes. Já aquelas que negligenciam sua presença digital correm o risco de perder espaço para concorrentes mais preparados.
Em um cenário onde consumidores podem simplesmente fotografar um produto e pedir recomendações para uma IA, oferecer informações claras e consistentes passa a ser uma vantagem competitiva.
Novos indicadores passam a orientar as estratégias
Com essa transformação, as métricas tradicionais de marketing também evoluem.
Além dos indicadores já conhecidos, empresas começam a acompanhar fatores específicos relacionados ao desempenho dentro das plataformas de inteligência artificial, como:
Frequência com que a marca é mencionada pelas IAs;
Posição em que aparece nas respostas geradas;
Presença em diferentes plataformas, como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity;
Visibilidade em diversos contextos e tipos de perguntas feitas pelos usuários.
Esses indicadores ajudam a medir a relevância das marcas em um ambiente onde cada interação pode gerar respostas diferentes, dependendo do contexto apresentado pelo consumidor.
O momento favorece quem agir primeiro
Durante o encerramento da palestra, Alexandre Caramaschi comparou o atual avanço da inteligência artificial ao surgimento da internet e das redes sociais.
Na avaliação do especialista, organizações que começarem desde já a adaptar seus conteúdos, processos e estratégias terão uma vantagem competitiva significativa nos próximos anos.
Mais do que investir em tecnologia, o desafio está em desenvolver uma cultura de inovação e incorporar a inteligência artificial à rotina das equipes.
A transformação já está em curso e tende a remodelar profundamente o trade marketing, criando novas formas de relacionamento entre consumidores, marcas e canais de venda. Para empresas que desejam crescer no ambiente digital, compreender essa nova dinâmica deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica.





















